É um dado adquirido que sou uma pessoa com um índice de distracção bastante elevado. Diria mesmo acima da média estabelecida pela U.E.
Tento defender-me. Escrevo variadíssimas lembranças no telemóvel, notas em post-it (coloridos) e a ultima aquisição “metro” é uma agenda onde planeio o dia-a-dia. Enfim, o esforço está lá!No entanto, é inevitável! Mais tarde ou mais cedo a minha verdadeira natureza revela-se.
Hoje decidi ir ao supermercado comprar bananas e ovos (pormenor que dispensavam saber). Na fila para pagar, toca o telemóvel. Na azáfama de dar o cartão, marcar o código, receber talão e falar ao mesmo tempo, agarrei os sacos que estavam á mão. Ao chegar ao carro apercebi-me que era suposto ter apenas
2 sacos e não 3 como de facto acontecia.Rapidamente abri o desconhecido.
...
Meus caros amigos, o que me poderia calhar na rifa?! … Infelizmente não eram acções da SONAE, eram sim, 10 exemplares da revista Maria, mais 2 da Ana, 1 da Mulher Moderna e 3 da Lux. Sei que deveria ter voltado as costas e ter ido devolver. Mas se a vergonha de comprar uma Maria já é muito, imaginem o que é devolver 10. Já sabem, se quiserem um exemplar deste vasto poço de conhecimento literário: vendo a 20 cêntimos!
Pois é, infelizmente não acaba por aqui.Mais tarde, agora na farmácia, o mesmo método de distracção levou-me a levantar o rabinho da cadeira da sala, onde calmamente descansava, e voltar ao mesmo estabelecimento para levantar os farmagos esquecidos. As pessoas também não estão do meu lado.
Exemplo claro: “Eu reparei que se tinha esquecido dos medicamentos, mas o senhor estava numa conversa tão animada ao telemóvel que eu não quis incomodar”."Obrigado" retorqui.
sábado, fevereiro 11, 2006
sábado, janeiro 21, 2006
Banco Circense
Desde logo, pela sua enorme quantidade, se nota que o banco mais popular da Republica Checa é o CSOB.
Uma ida a este famoso banco em Brno pode revelar-se tão bom como ir à feira popular. É que em ambos os lugares a diversão é garantida.
O circo começa quando tentamos abrir uma conta. Ora, primeiro que apanhe um funcionário que fale inglês, ainda são algumas piscinas casa-banco, banco-casa. Quando tal acontece, é a vez dos malabarismos entrarem em acção. A mimica multiplica os nossos gestos, para que a criatura bancária tente adivinhar o que lhe estamos a transmitir. O seu inglês arranhado apimentado com lentidão acrescida resulta em bastantes horas de vida perdidas. Felizmente depois de tanta transpiração de axila, no final, temos uma conta de estudante (sem comissões) aberta.
Acompanhar alguem numa ida a este banco também pode ter o seu pique de emoção.
A excursão vale a pena principalmente pelo otário de segurança que deambula, somente em elipses perfeitas, pelo banco.
O espectador, com tal actuação não conseguirá conter as dores de barriga provocadas pelo riso. O tamanho profissionalismo desta pessoa (que talvez sofra de alguns disturbios mentais aliados a uma crise hemorroidal crónica) começa quando, de 2 em 2 minutos decide circunscrever o banco e pedir a todas as pessoas que tenham algum aparelho electrónico na mão, que se ponham a andar daquele espaço. Presunçoso, após despachar dois ou três, desalinha os seus grossos labios em sinal de contentamento pela missão cumprida e balbucia quaisquer palavras checas no walkie-tokie que tem na mão.
O que é um episodio de Seinfeld comparado com uma ida ao CSOB? Pura comédia amadora!
Uma ida a este famoso banco em Brno pode revelar-se tão bom como ir à feira popular. É que em ambos os lugares a diversão é garantida.
O circo começa quando tentamos abrir uma conta. Ora, primeiro que apanhe um funcionário que fale inglês, ainda são algumas piscinas casa-banco, banco-casa. Quando tal acontece, é a vez dos malabarismos entrarem em acção. A mimica multiplica os nossos gestos, para que a criatura bancária tente adivinhar o que lhe estamos a transmitir. O seu inglês arranhado apimentado com lentidão acrescida resulta em bastantes horas de vida perdidas. Felizmente depois de tanta transpiração de axila, no final, temos uma conta de estudante (sem comissões) aberta.
Acompanhar alguem numa ida a este banco também pode ter o seu pique de emoção.
A excursão vale a pena principalmente pelo otário de segurança que deambula, somente em elipses perfeitas, pelo banco.
O espectador, com tal actuação não conseguirá conter as dores de barriga provocadas pelo riso. O tamanho profissionalismo desta pessoa (que talvez sofra de alguns disturbios mentais aliados a uma crise hemorroidal crónica) começa quando, de 2 em 2 minutos decide circunscrever o banco e pedir a todas as pessoas que tenham algum aparelho electrónico na mão, que se ponham a andar daquele espaço. Presunçoso, após despachar dois ou três, desalinha os seus grossos labios em sinal de contentamento pela missão cumprida e balbucia quaisquer palavras checas no walkie-tokie que tem na mão.
O que é um episodio de Seinfeld comparado com uma ida ao CSOB? Pura comédia amadora!
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Re BIO
É unanime! Este restaurante, sem duvida alguma, é o melhor de Brno e arredores.
Agora explico.
Sou contra aquelas tendencias ignorantes do:
Em primeiro lugar, vegetariano e macrobiotico são conceitos completamente diferentes, que felizmente são misturados neste restaurante.
O "Rei BIO" agora chamado por diversos fãs portugueses, aplica, e muito bem, o conceito buffet. Para que o cliente que é leigo nestas andanças não se perca numa lista de longos nomes desconhecidos e adjacentes ao conhecimento mundano, existe uma variadissima escolha de pratos á nossa frente.
Outro ponto positivo que empurra o ReBio para o topo das tabelas da restauração checa (excluindo "á priori" a farda dos empregados, directamente importada do Havai) é o seu sistema: peso aliado ao preço. Por cada prato na balança rasga-se um sorriso na carteira.
Caros visitantes, ir a Brno tem passagem obrigatória pelo Bio.
Desta feita, convido eu!
Agora explico.
Sou contra aquelas tendencias ignorantes do:
- "Só como comida Macrobiotica"
- "Vegetariano é mau porque não alimenta"
- "Só este tipo de comida é que é saudavel!"
Em primeiro lugar, vegetariano e macrobiotico são conceitos completamente diferentes, que felizmente são misturados neste restaurante.
O "Rei BIO" agora chamado por diversos fãs portugueses, aplica, e muito bem, o conceito buffet. Para que o cliente que é leigo nestas andanças não se perca numa lista de longos nomes desconhecidos e adjacentes ao conhecimento mundano, existe uma variadissima escolha de pratos á nossa frente.
Outro ponto positivo que empurra o ReBio para o topo das tabelas da restauração checa (excluindo "á priori" a farda dos empregados, directamente importada do Havai) é o seu sistema: peso aliado ao preço. Por cada prato na balança rasga-se um sorriso na carteira.
Caros visitantes, ir a Brno tem passagem obrigatória pelo Bio.
Desta feita, convido eu!
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Que Maravilha!
Se existem coisas que preso na vida, uma delas é andar de avião. Primeiro porque já perdi as dores de ouvidos , depois porque é rápido, eficiente, confortável…uma verdadeira maravilha!
Tudo isto para contar que o ultimo voo que fiz entrará, sem dúvida, para o meu top 3 “voos solitários inesquecíveis”. O trajecto foi: Palma de Maiorca – Viena.
Ahhh… e como é bom entrar num avião e vislumbrar umas 10 hospedeiras vestidas com uma farda de ganga apertadinha ao corpo. 10 beldades da natureza. Atenciosas e precisas a encher o copo de sumo num avião com capacidade máxima de 100 pessoas, ou seja, quase uma preciosidade por fila.
O desfile continua… de segundo a segundo uma das donzelas pousava com algum artigo nas mãos: auscultadores, jornais, perfumes, canetas e o tradicional “comes e bebes”.
O voo melhora quando ligo os meus novos auscultadores (após uma conversa fútil com uma delas) e começo a ouvir os primeiros acordes da música “hot stuff”. Entre o rebolar dos meus olhos e o disparar da minha tiróide foi um tirinho. Momentos depois era ver-me aceitar uma sanduíche de salmão com a mão bem molhadinha.
Poupo-vos de mais detalhes.
Apenas lanço o repto: Se quiserem voar numa low-cost que vos transporte directamente para o fashion-tv (passo a publicidade) escolham Niki, a companhia associada da Air-Berlin…
Tudo isto para contar que o ultimo voo que fiz entrará, sem dúvida, para o meu top 3 “voos solitários inesquecíveis”. O trajecto foi: Palma de Maiorca – Viena.
Ahhh… e como é bom entrar num avião e vislumbrar umas 10 hospedeiras vestidas com uma farda de ganga apertadinha ao corpo. 10 beldades da natureza. Atenciosas e precisas a encher o copo de sumo num avião com capacidade máxima de 100 pessoas, ou seja, quase uma preciosidade por fila.
O desfile continua… de segundo a segundo uma das donzelas pousava com algum artigo nas mãos: auscultadores, jornais, perfumes, canetas e o tradicional “comes e bebes”.
O voo melhora quando ligo os meus novos auscultadores (após uma conversa fútil com uma delas) e começo a ouvir os primeiros acordes da música “hot stuff”. Entre o rebolar dos meus olhos e o disparar da minha tiróide foi um tirinho. Momentos depois era ver-me aceitar uma sanduíche de salmão com a mão bem molhadinha.
Poupo-vos de mais detalhes.
Apenas lanço o repto: Se quiserem voar numa low-cost que vos transporte directamente para o fashion-tv (passo a publicidade) escolham Niki, a companhia associada da Air-Berlin…
terça-feira, dezembro 27, 2005
Breves
Este Natal fica marcado por uma mudança no visual, ao que decidi chamar “João Norte”. Óculos de massa típico dos executivos lá de cima + cabelo semirapado. A credibilidade médica insiste em não aparecer…
Nota: Na célebre ida ao oculista, ficou-me na memória uma frase; Fechado numa sala escura a tentar ler as letras minúsculas numa parede branca (o tão famoso teste de frustração a míopes). Com uma maquina sobre o nariz, fazendo lembrar um power ranger ou transformer, a Sr. Oculista, á medida que trocava as lentes da dita maquina, saiu-se com a seguinte frase:
“ Sabe… vou pôr uma abaixo porque os míopes são muito gulosos!”
Nota: Na célebre ida ao oculista, ficou-me na memória uma frase; Fechado numa sala escura a tentar ler as letras minúsculas numa parede branca (o tão famoso teste de frustração a míopes). Com uma maquina sobre o nariz, fazendo lembrar um power ranger ou transformer, a Sr. Oculista, á medida que trocava as lentes da dita maquina, saiu-se com a seguinte frase:
“ Sabe… vou pôr uma abaixo porque os míopes são muito gulosos!”
sábado, dezembro 17, 2005
Desilusão McDonaldiana
Ja nao é a primeira vez que vou a uma cidade e vejo mais placas de sinalização deste explosivo e mitotico fast-food do que placas a indicar qualquer monumento interessante ou mesmo a direccionar o conductor/peão.
É passar na rua e ver McDonald 500m, McDonald 200m, McDonald 50m, e a bela versão tuga McDonald Já aqui ao lado.
Adiante. Entrei no Mac nº 1 de Brno que se situa na praça principal, Svoboda. A espumar saliva, apoderou-se de mim o desejo sunday caramelo.
Entre a rapidez e a minha deslexia checa consegui pedir o que tao desesperadamente ansiava.
Aqui surge o problema.
Posso dizer que já corri muito Donaldi por este mundo fora. No que toca a menus, bebidas e afins, e como é um franchasing internacionalmente bem sucedido, foi igual em todo o lado. Talvez com uma pequena diferença em relação às batatas.
Mas, tal é o meu espanto quando me estatelam à frente um sunday de caramelo do tamanho de um minimilk. O copo parecia ter sofrido uma degeneração qualquer deixando-o em metade. Caramelo? Nem ve-lo! Talvez pequenas gotas adocicadas na parte superior do gelado...
Cabisbacho, abandonei o estabelecimento.
Durante esta acção houve um rugar de infinitas pragas ao Sr. MacDonald, bem como ao boneco que o representa. (que é feio como a noite dos trovões!... se era suposto um boneco para entreter as crianças, foi literalmente um fiasco!).
Pronto, já me sinto melhor!
É passar na rua e ver McDonald 500m, McDonald 200m, McDonald 50m, e a bela versão tuga McDonald Já aqui ao lado.
Adiante. Entrei no Mac nº 1 de Brno que se situa na praça principal, Svoboda. A espumar saliva, apoderou-se de mim o desejo sunday caramelo.
Entre a rapidez e a minha deslexia checa consegui pedir o que tao desesperadamente ansiava.
Aqui surge o problema.
Posso dizer que já corri muito Donaldi por este mundo fora. No que toca a menus, bebidas e afins, e como é um franchasing internacionalmente bem sucedido, foi igual em todo o lado. Talvez com uma pequena diferença em relação às batatas.
Mas, tal é o meu espanto quando me estatelam à frente um sunday de caramelo do tamanho de um minimilk. O copo parecia ter sofrido uma degeneração qualquer deixando-o em metade. Caramelo? Nem ve-lo! Talvez pequenas gotas adocicadas na parte superior do gelado...
Cabisbacho, abandonei o estabelecimento.
Durante esta acção houve um rugar de infinitas pragas ao Sr. MacDonald, bem como ao boneco que o representa. (que é feio como a noite dos trovões!... se era suposto um boneco para entreter as crianças, foi literalmente um fiasco!).
Pronto, já me sinto melhor!
sábado, dezembro 10, 2005
Noite Checalatina
Encontramo-nos no centro. As personagens são: os 4 felizardos do costume (Vera, Joana, Miguel e Joao) mais duas portuguesas de enfermagem em estagio por Brno.
A vontade de ir beber um copo e descontrair após uma semana de trabalho atrai-nos para um club latino: El Sombrero.
Pode parecer estranho, mas os ritmos quentes já atingiram á muito este ice-berg.
Entramos com grandes expectativas numa cave semi-escura. Com alguma surpresa vemos uma pista cheia de pessoas abanando cabeças e ancas ao som... e agora sim vem a revelação.. (soam os tambores)... a Lambada.
Houve uma paragem onde, por segundos, cada um de nós fixou os olhos do seguinte com o intuito de certificar-se que a regressão de 20 anos não seria possivel. Mas, para contentamento de muito checos, foi. Luzes ao rubro, gritos de contentamento, era o auge daquela noite para alguns dos pseudo bailarinos que empregavam passos superalinhados, em tudo parecidos ao do clip YMCA.
Entre nós ouviam-se valentes gargalhadas, que serviram de mote para um animado convivio.
A vontade de ir beber um copo e descontrair após uma semana de trabalho atrai-nos para um club latino: El Sombrero.
Pode parecer estranho, mas os ritmos quentes já atingiram á muito este ice-berg.
Entramos com grandes expectativas numa cave semi-escura. Com alguma surpresa vemos uma pista cheia de pessoas abanando cabeças e ancas ao som... e agora sim vem a revelação.. (soam os tambores)... a Lambada.
Houve uma paragem onde, por segundos, cada um de nós fixou os olhos do seguinte com o intuito de certificar-se que a regressão de 20 anos não seria possivel. Mas, para contentamento de muito checos, foi. Luzes ao rubro, gritos de contentamento, era o auge daquela noite para alguns dos pseudo bailarinos que empregavam passos superalinhados, em tudo parecidos ao do clip YMCA.
Entre nós ouviam-se valentes gargalhadas, que serviram de mote para um animado convivio.
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Longas Narrações: Oral Intenso
O meu primeiro exame universitario, pela via da oralidade, não poderia ter sido mais hilariante.
Avisados que ás 8.30 os examinadores estariam a entrar na sala para começar o dito cujo e visto que vivo no bosque de Brno estive na noite anterior a trabalhar num plano, meticuloso, para que nada falhasse e conseguisse chegar a horas.
Acordo ás 5 da madrugada.
Dou uma vista de olhos em dois ou tres ossos que ainda durante o sono palpitavam-me na cabeça e mais uma vista de olhos pelo cranio.
7.30 toca a campainha.
Era o homem da Cesky Telecom, responsavel por nos arranjar internet que à dois meses andava a ser trabalhada por telefonemas frenéticos e consecutivos á empresa.
Este homem, alto e farfalhudo, entrou por nossa casa a balbuciar o seu checo das beiras-altas, incompreensivel! Tentou dialogar connosco, ate perder a paciencia nas explicaçoes e começar a cortar os 2 outros telefones que tinhamos em casa para criar uma linha unica.
Pondo de parte os pormenores irrelevantes e aborrecidos.
Depois de comer o meu pequeno-almoço nas calmas, ás 8 horas decido chamar um taxi.
Atenção! Aqui é o ponto de viragem. Começa a adrenalina a disparar...
Do outro lado da linha oiço a senhora da rede taxis a repetir no seu, ainda bocejo matinal: " nemame taxis", o que significa: meu caro amigo, não há taxis, portanto páre de chatear-me e ponha-se a andar.
Desliguei. Abri a boca e soltei um grito de sofrimento, sem som.
Andei ás voltas em casa a tecer pragas á rede fugareira até que senti vibracoes na minha massa cinzenta e decidi pedir ao Sr. Farfalhudo para me levar ao centro. Com dificuldades, mais uma vez linguisticas, consegui a boleia.
Cheguei ao centro numa carrinha de 8 lugares, amarela forte das telecomunicoes checas.
Neste ponto, já um pouco atrasado, o meu cérebro decide ajudar-me e lembra-me que me esqueci em casa da bata branca, peça de vestuario obrigatoria para fazer exame.
Pois bem, decido correr 3 fármacias as 8.25 á procura de uma.
A sorte jogava ás escondidas comigo e teimava em não aparecer. Sem bata, e após andar 10m á procura de um taxi no centro, chego as 8.40 á sala de exame. Mal ponho o pé na entrada, soa o meu nome da boca do regente da cadeira. Á pressa, visto a bata de um colega ingles que ja tinha acabado o seu exame. Com a sobracelha a tremer e com espamos em todo
o corpo sentei-me á frente do Doutor Libor Pas (que poderá ser traduzido como: Dr. Liborio Paz ou Liborinho Paz).
Apos uma conversa animada, ou melhor, um monologo seco sobre a esfenoide, temporal e articulacoes da mao, arranquei um olhar do Liborio, que ate então olhava, reticente, para a folha que tinha em frente.
Minutos depois soaram palavras de consentimento e aprovação da sua boca.
Com o pingo na testa, consegui sorrir naquela manhã.
Avisados que ás 8.30 os examinadores estariam a entrar na sala para começar o dito cujo e visto que vivo no bosque de Brno estive na noite anterior a trabalhar num plano, meticuloso, para que nada falhasse e conseguisse chegar a horas.
Acordo ás 5 da madrugada.
Dou uma vista de olhos em dois ou tres ossos que ainda durante o sono palpitavam-me na cabeça e mais uma vista de olhos pelo cranio.
7.30 toca a campainha.
Era o homem da Cesky Telecom, responsavel por nos arranjar internet que à dois meses andava a ser trabalhada por telefonemas frenéticos e consecutivos á empresa.
Este homem, alto e farfalhudo, entrou por nossa casa a balbuciar o seu checo das beiras-altas, incompreensivel! Tentou dialogar connosco, ate perder a paciencia nas explicaçoes e começar a cortar os 2 outros telefones que tinhamos em casa para criar uma linha unica.
Pondo de parte os pormenores irrelevantes e aborrecidos.
Depois de comer o meu pequeno-almoço nas calmas, ás 8 horas decido chamar um taxi.
Atenção! Aqui é o ponto de viragem. Começa a adrenalina a disparar...
Do outro lado da linha oiço a senhora da rede taxis a repetir no seu, ainda bocejo matinal: " nemame taxis", o que significa: meu caro amigo, não há taxis, portanto páre de chatear-me e ponha-se a andar.
Desliguei. Abri a boca e soltei um grito de sofrimento, sem som.
Andei ás voltas em casa a tecer pragas á rede fugareira até que senti vibracoes na minha massa cinzenta e decidi pedir ao Sr. Farfalhudo para me levar ao centro. Com dificuldades, mais uma vez linguisticas, consegui a boleia.
Cheguei ao centro numa carrinha de 8 lugares, amarela forte das telecomunicoes checas.
Neste ponto, já um pouco atrasado, o meu cérebro decide ajudar-me e lembra-me que me esqueci em casa da bata branca, peça de vestuario obrigatoria para fazer exame.
Pois bem, decido correr 3 fármacias as 8.25 á procura de uma.
A sorte jogava ás escondidas comigo e teimava em não aparecer. Sem bata, e após andar 10m á procura de um taxi no centro, chego as 8.40 á sala de exame. Mal ponho o pé na entrada, soa o meu nome da boca do regente da cadeira. Á pressa, visto a bata de um colega ingles que ja tinha acabado o seu exame. Com a sobracelha a tremer e com espamos em todo
o corpo sentei-me á frente do Doutor Libor Pas (que poderá ser traduzido como: Dr. Liborio Paz ou Liborinho Paz).
Apos uma conversa animada, ou melhor, um monologo seco sobre a esfenoide, temporal e articulacoes da mao, arranquei um olhar do Liborio, que ate então olhava, reticente, para a folha que tinha em frente.
Minutos depois soaram palavras de consentimento e aprovação da sua boca.
Com o pingo na testa, consegui sorrir naquela manhã.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Carnificina
Sextas feiras é dia da minha pratica de anatomia, algo que descrevo como a ida ao Talho.
Perceberão o porquê.
A aula dura sensivelmente uma hora, começando logo pela manhã. E como é tão agradavel, pela fresquinha, acabar de tomar o pequeno-almoço e entrar numa sala inundada em formol, em que o unico som que se destaca é o de carne humana contra a mesa.
A professora faz eco numa sala onde o silencio é de ouro. Com as suas luvas repletas de preparações humidas de musculos e articulações, procura, exaustivamente, com as suas pinças o que pretende explicar.
O cadaver vai mudando, mas em geral costumam ser de pessoas já com uma certa idade. O ultimo analisado era (datado de 2001). Objectivo: identificar os musculos dos membros superior, inferior e os faciais. Apos concluida a tarefa, houve um periodo de descompressão onde o dificil foi abstrairmo-nos da barba ainda por fazer que ostentava a cabeça solitaria de um individuo e as unhas, ainda por cortar, de uma meia senhora.
Que rico serão!
Perceberão o porquê.
A aula dura sensivelmente uma hora, começando logo pela manhã. E como é tão agradavel, pela fresquinha, acabar de tomar o pequeno-almoço e entrar numa sala inundada em formol, em que o unico som que se destaca é o de carne humana contra a mesa.
A professora faz eco numa sala onde o silencio é de ouro. Com as suas luvas repletas de preparações humidas de musculos e articulações, procura, exaustivamente, com as suas pinças o que pretende explicar.
O cadaver vai mudando, mas em geral costumam ser de pessoas já com uma certa idade. O ultimo analisado era (datado de 2001). Objectivo: identificar os musculos dos membros superior, inferior e os faciais. Apos concluida a tarefa, houve um periodo de descompressão onde o dificil foi abstrairmo-nos da barba ainda por fazer que ostentava a cabeça solitaria de um individuo e as unhas, ainda por cortar, de uma meia senhora.
Que rico serão!
domingo, dezembro 04, 2005
Insólitos Brno
Vivo num pacato bairro desta cidade. Numa parte onde se avista uma placa com um risco encarnado sobre a palavra Brno, em conclusao: longe.
A media de idades ronda os 60 anos. Digamos que Lesná, nome da dita regiao, é a Filadelfia da Republica Checa.
Enfim, tudo isto para chegar ao ponto que nesta zona bairrista, os homens do lixo, que só vêm às terças-feiras, só podem recolher um saco de lixo por casa. Mais do que um equivale a insultos em checo com objectos pouco legais na mão mais um colectivo de sacos à porta mais odio de toda a vizinhança.
Agora expliquem-me como é que quatro pessoas conseguem fazer apenas um saco de lixo, dos medios...numa semana.
Dificil mas nao impossivel segundo a teoria checa.
A media de idades ronda os 60 anos. Digamos que Lesná, nome da dita regiao, é a Filadelfia da Republica Checa.
Enfim, tudo isto para chegar ao ponto que nesta zona bairrista, os homens do lixo, que só vêm às terças-feiras, só podem recolher um saco de lixo por casa. Mais do que um equivale a insultos em checo com objectos pouco legais na mão mais um colectivo de sacos à porta mais odio de toda a vizinhança.
Agora expliquem-me como é que quatro pessoas conseguem fazer apenas um saco de lixo, dos medios...numa semana.
Dificil mas nao impossivel segundo a teoria checa.
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